“CORONÉIS DA POLÍTICA”

Blairo cita destituição do PRD: “Partidos são como ditadura”

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Blairo cita destituição do PRD: “Partidos são como ditadura”
O ex-governador Blairo Maggi, que falou sobre destituição do PRD em Mato Grosso

O ex-governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PP), classificou como “natural” a destituição de Mauro Carvalho da presidência do diretório estadual do Partido Renovação Democrática, decisão tomada após articulação da executiva nacional da sigla. O episódio ocorre em meio às movimentações partidárias que antecedem o ciclo eleitoral e refletem disputas internas por espaço e estratégia.

Na avaliação de Maggi, o funcionamento dos partidos políticos no Brasil é marcado por forte centralização de poder nas lideranças nacionais, que possuem prerrogativa legal para intervir em diretórios estaduais e redefinir comandos locais.

“A política é muito diferente. Se tem uma coisa que é uma ditadura, no pé da letra, são os partidos. O presidente do partido é aquele ‘dono’, que toma a decisão que achar melhor para ele, conveniente para ele e para o grupo dominante”, afirmou.

“Não me surpreende uma intervenção, por exemplo, num partido político aqui de Mato Grosso, como em qualquer outro lugar”, acrescentou.

Atualmente, Blairo Maggi integra a Federação União-Progressista, aliança partidária que reúne legendas com atuação conjunta no Congresso Nacional, mas tem mantido uma posição mais afastada das articulações diretas no cenário político estadual.

Ao exemplificar o que chamou de “autoritarismo partidário”, o ex-governador citou o Partido Social Democrático, presidido pelo ex-ministro Gilberto Kassab, destacando a capacidade da direção nacional de influenciar decisões estratégicas, como a definição de candidaturas.

“A gente viu agora nas candidaturas onde o Ronaldo Caiado [governador de Goiás] entrou como candidato, até pouco tempo atrás ele não fazia parte desse partido. Outros políticos iam construindo essa possibilidade de candidatura dentro do partido há muito tempo, acalentando isso, trabalhando, gastando, correndo. E, no entanto, a decisão do Kassab foi: ‘Não, você não vai, vai o fulano’. Então é normal. É ruim, mas é normal”, disse.

Desmonte

A destituição de Mauro Carvalho foi formalizada no último dia 31 pelo presidente nacional do PRD, Ovasco Resende, em conjunto com o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força. A justificativa apresentada foi a não formação de uma chapa considerada competitiva para deputado federal — fator essencial dentro das regras eleitorais atuais, que exigem desempenho mínimo para manutenção de recursos e representação.

Antes da intervenção, o PRD em Mato Grosso havia alinhado apoio ao grupo político liderado pelo ex-governador Mauro Mendes (União), que é pré-candidato ao Senado Federal. Com a mudança no comando, esse alinhamento tende a ser reavaliado no novo contexto partidário.

A consequência imediata foi o enfraquecimento da sigla no estado. Políticos que estavam filiados ou em processo de filiação ao PRD deixaram o partido e foram realocados em legendas da base governista, como o Republicanos e a Federação União-Progressista.

Especialistas apontam que esse tipo de intervenção é recorrente no período pré-eleitoral, quando direções nacionais buscam reorganizar suas estruturas estaduais para garantir maior competitividade, sobretudo na formação de chapas proporcionais — consideradas fundamentais para o desempenho eleitoral e para o acesso a recursos como fundo partidário e tempo de propaganda eleitoral.