O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) contra sete influenciadores digitais investigados na Operação 777, deflagrada pela Polícia Civil em julho de 2024, por suspeita de promover jogos de azar online e rifas ilegais nas redes sociais.
Com a decisão, publicada nesta sexta-feira (17), passam à condição de réus Bruno Fabiano Marques de França, Gabriel Ferreira de Oliveira, Carlos Henrique Morgado Rodrigues, Nicolas Guilherme de Freitas Gonçalves Silva e Victor Vinicius de Freitas Gonçalves, denunciados pelos crimes de associação criminosa, exploração de jogos de azar e infrações contra a economia popular.
Também se tornaram rés Cristiane de Freitas Gonçalves Silva e Sandra Regina Ferreira, acusadas de lavagem de dinheiro, assim como Gabriel Ferreira de Oliveira e Nicolas Guilherme de Freitas Gonçalves Silva, que além dos crimes relacionados às apostas ilegais, também foram denunciados por ocultação e dissimulação de valores obtidos com a atividade ilícita.
Na decisão, o magistrado destacou que, embora os elementos reunidos ainda tenham natureza indiciária, há material suficiente para o prosseguimento da ação penal. “A despeito de se tratar de prova indiciária e unilateral, anoto que as provas mencionadas na denúncia são elementos suficientes para o desencadeamento da ação penal, tendo em mente que nesta fase processual o juízo é de prelibação e o princípio vigente é ‘in dubio pro societate’”, escreveu o juiz.
A influenciadora Larissa Gonçalves Mataveli firmou Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público e teve sua situação desmembrada do processo principal. O caso dela será analisado separadamente, conforme os termos do acordo homologado pela Justiça.
A operação
A Operação 777 foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso após investigações apontarem que influenciadores digitais utilizavam seus perfis em redes sociais para divulgar plataformas ilegais de apostas online, especialmente o chamado “Jogo do Tigrinho”, nome popular atribuído a jogos de cassino virtual sem autorização legal para funcionamento no Brasil.
Segundo as investigações, os suspeitos gravavam vídeos exibindo supostos lucros altos e imediatos para convencer seguidores a apostar dinheiro nas plataformas. No entanto, de acordo com a apuração policial, os conteúdos eram manipulados por meio de versões demonstrativas dos jogos, programadas para apresentar resultados positivos artificiais.
A estratégia tinha como objetivo induzir seguidores ao erro, criando uma falsa sensação de facilidade de ganho financeiro. Além disso, a investigação apontou que novas plataformas eram lançadas com frequência porque os apostadores, após depositarem valores, enfrentavam dificuldades ou sequer conseguiam realizar saques, caracterizando indícios de fraude.
A Polícia Civil identificou que os influenciadores recebiam comissões proporcionais ao número de cadastros e depósitos realizados por seguidores, o que transformava a atividade em um esquema lucrativo de captação de apostadores. A movimentação financeira dos investigados, segundo o inquérito, levantou suspeitas de lavagem de dinheiro, razão pela qual houve quebra de sigilo bancário e fiscal durante a investigação.
Durante a Operação 777, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Cuiabá e outras cidades, com apreensão de celulares, computadores, veículos de luxo e documentos. A apuração também identificou a realização de rifas ilegais nas redes sociais, modalidade usada para movimentar recursos sem autorização e sem fiscalização dos órgãos competentes.
As investigações apontam que o grupo teria explorado a vulnerabilidade financeira dos seguidores, especialmente jovens atraídos pela promessa de lucro fácil. A promoção de jogos de azar sem autorização é considerada contravenção penal no Brasil, mas pode ser enquadrada em crimes mais graves quando associada a fraude, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Com o recebimento da denúncia, inicia-se agora a fase de instrução processual, com citação dos réus, apresentação de defesa e produção de provas. Ao final, o juiz decidirá se os acusados serão condenados ou absolvidos. Caso condenados, poderão responder por penas que incluem prisão, multa e perda de bens adquiridos com recursos ilícitos.