A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (16), a Operação Passagem Oculta, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso suspeito de planejar o roubo de até R$ 1 milhão de uma cooperativa de crédito localizada em Cuiabá. A investigação aponta que a quadrilha pretendia acessar o cofre da instituição financeira por meio de uma abertura clandestina na parede de uma residência vizinha à agência.
Ao todo, estão sendo cumpridas 12 ordens judiciais, sendo quatro mandados de prisão preventiva, quatro mandados de busca e apreensão — incluindo diligências domiciliares, pessoais e veiculares — além de quatro determinações de quebra de sigilo de dados. As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias e estão sendo executadas em Cuiabá e em Várzea Grande, municípios onde residem os investigados.
As investigações são conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), unidade especializada da Polícia Civil responsável pela repressão a crimes de alta complexidade e pela atuação contra organizações criminosas em Mato Grosso. Segundo a apuração, quatro suspeitos integravam o núcleo operacional do grupo responsável pela tentativa de roubo qualificado contra uma cooperativa situada na Avenida das Torres, uma das regiões de expansão comercial da capital.
O crime ocorreu no final de junho de 2025, quando os criminosos invadiram uma casa no bairro Recanto dos Pássaros, imóvel que faz divisa estrutural com a cooperativa financeira. Durante a ação, três moradores foram rendidos e mantidos em cárcere privado por cerca de quatro horas, sob ameaça de armas de fogo. De acordo com as investigações, o imóvel foi utilizado como base para que os criminosos abrissem uma passagem na parede até o interior da instituição financeira, numa estratégia semelhante à utilizada em ataques a bancos e cooperativas em diferentes estados do país.
O plano era alcançar o cofre da cooperativa e subtrair valores estimados em até R$ 1 milhão. No entanto, a ação foi interrompida após a Polícia Militar ser acionada e cercar o local. Durante a intervenção, houve confronto armado, resultando na morte de um dos envolvidos ainda no imóvel. Outro suspeito foi preso em flagrante e posteriormente condenado pela participação no crime.
A partir da análise de provas reunidas no local, imagens, troca de mensagens e levantamentos de inteligência, a GCCO conseguiu identificar outros integrantes da organização criminosa. Segundo a Polícia Civil, o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas previamente estabelecida entre execução, logística, transporte e vigilância, característica que reforça a suspeita de associação criminosa organizada.
Os investigados devem responder por roubo circunstanciado, com agravantes pelo uso de arma de fogo, restrição da liberdade das vítimas e concurso de pessoas. As prisões preventivas foram representadas pelo delegado Igor Sasaki, responsável pelo caso, e deferidas pela Justiça com base na gravidade concreta dos fatos, no planejamento sofisticado da ação criminosa e no risco de reiteração delitiva.
A Operação Passagem Oculta integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, dentro da Operação Pharus e do programa Tolerância Zero, iniciativas voltadas ao enfrentamento de facções criminosas e ao combate qualificado ao crime organizado no estado.
Além disso, a ação também faz parte da Operação Nacional da Renorcrim, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, que articula forças especializadas de todo o país em operações simultâneas contra organizações criminosas envolvidas em roubos, tráfico, lavagem de dinheiro e outros crimes de grande impacto.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam e não descarta a participação de outros envolvidos no planejamento da tentativa de roubo, inclusive possíveis colaboradores externos que tenham dado suporte logístico ou informações privilegiadas sobre a movimentação financeira da cooperativa.