Conteúdo/ODOC - O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão de Thawany Nunes Silva de Bulhões, mulher de Paulo Witer Farias Paelo, o WT, apontado pela Polícia Civil como tesoureiro do Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso.
O habeas corpus apresentado em favor de Thawany foi negado pelo presidente do STJ, ministro Herman Benjamin. O resultado consta no andamento processual desta quinta-feira (13).
“Denegado o Habeas Corpus a Thawany Nunes Silva de Bulhões”, registra o sistema da Corte.
Os fundamentos que levaram o ministro a rejeitar o pedido de liberdade ainda não foram divulgados. A íntegra da decisão está prevista para ser disponibilizada na próxima terça-feira (18).
Thawany está presa desde 30 de julho, quando foi alvo da Operação Replay, deflagrada pela Polícia Civil para desarticular um suposto esquema de organização criminosa e lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho.
O principal investigado é WT, que já estava detido na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, e recebeu um novo mandado de prisão preventiva durante a operação.
Além de prender Thawany, os investigadores cumpriram buscas em três imóveis ligados a ela, localizados em Camboriú (SC), Itapema (SC) e Cuiabá. Durante as diligências, foram apreendidos dinheiro em espécie, joias e bolsas de luxo.
De acordo com a Polícia Civil, as investigações revelaram uma estrutura que teria sido montada para movimentar recursos de origem ilícita e ocultar patrimônio por meio de terceiros.
Também foram presos na operação a advogada Dayane Karol Moreira da Silva; o ex-assessor parlamentar da Câmara de Cuiabá Brunno Passos da Silva; o jogador de futebol amador Alex Júnior Santos de Alencar, conhecido como Soldado; Emerson Ferreira Lima, o Gordinho; e a influenciadora Katani Adorno Bocardi, mulher de Emerson.
Ainda aparecem entre os presos Aldemir de Assis Campos, o Tucão; Ygor Henrique da Silva Martins; e Anderson Alves de Sousa.
Operação Replay
Ao todo, a Operação Replay cumpriu 10 mandados de prisão preventiva, além de outras medidas cautelares contra 14 investigados em Mato Grosso, Santa Catarina e Rio de Janeiro.
A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 17,2 milhões em bens e valores. As medidas alcançaram imóveis de alto padrão em Mato Grosso e Santa Catarina, três terrenos e quatro veículos.
Também foi autorizado o bloqueio de até R$ 15,324 milhões em ativos financeiros. Conforme a Polícia Civil, o valor corresponde a movimentações identificadas a partir de uma contabilidade apreendida no decorrer das investigações.
A investigação aponta ainda que WT teria continuado a exercer funções de comando financeiro e disciplinar do Comando Vermelho, mesmo preso em uma ala de segurança máxima do sistema penitenciário estadual. Segundo a Polícia Civil, ele orientaria integrantes que estavam em liberdade e determinaria a movimentação de recursos de origem ilícita.