O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) sinalizou que a base governista em Mato Grosso pode não chegar a um consenso para a disputa pelo Palácio Paiaguás em 2026. Após reunião com o senador Jayme Campos (União), realizada no último fim de semana, o chefe do Executivo admitiu a possibilidade de ambos concorrerem ao cargo.
“Talvez não [haja consenso], mas, se não houver, não seremos inimigos. Vamos disputar”, afirmou Pivetta nesta quarta-feira (1º).
O encontro ocorreu no domingo (29), na residência do senador, e durou cerca de uma hora e meia. Segundo relatos, a conversa teve caráter político e tratou do cenário eleitoral de 2026, além da reorganização do grupo que hoje sustenta o governo estadual. Apesar do tom cordial, Jayme Campos indicou que, neste momento, não há viabilidade de apoio à eventual candidatura de Pivetta.
O impasse reflete uma disputa interna por protagonismo dentro do grupo político liderado pelo ex-governador Mauro Mendes (União), que segue como principal articulador da base. Pivetta, que assumiu o comando do Estado com a saída de Mendes, trabalha para consolidar seu nome como representante da continuidade administrativa, apostando no discurso de estabilidade e manutenção das políticas públicas em andamento.
Já Jayme Campos, figura tradicional da política mato-grossense e com trajetória que inclui passagens pelo Governo do Estado, Senado e prefeituras, mantém sua pré-candidatura e tem reforçado, em declarações públicas, que não pretende abrir mão da disputa. Nos bastidores, a avaliação é de que o senador busca ampliar seu espaço político e capitalizar sua experiência administrativa.
Pivetta classificou a reunião como positiva do ponto de vista institucional, embora sem avanços concretos no alinhamento político.
“Foi prazeroso ouvi-lo, assim como ao Júlio Campos. São pessoas que eu respeito muito”, disse, em referência também ao ex-governador Júlio Campos, irmão do senador e outra liderança influente no Estado.
O governador também comentou a declaração recente de Jayme, que se emocionou ao reafirmar que seguirá na disputa eleitoral. Para Pivetta, a manifestação é legítima dentro do processo democrático.
“Eu respeito o senador Jayme Campos. Foram palavras dele, e eu respeito. Eleição é para isso: quem quiser ser candidato...”, declarou.
Apesar da sinalização de um possível confronto nas urnas, Pivetta afastou qualquer desgaste na relação pessoal com o senador, destacando que as divergências estão restritas ao campo político.
“Considero que sim [há amizade]. O Jayme sempre me tratou muito bem. Temos uma boa relação e não tenho nenhum motivo para ser áspero com ele”, afirmou.
O cenário ainda é considerado aberto, já que articulações políticas devem se intensificar nos próximos meses, especialmente com a proximidade do calendário eleitoral. Analistas apontam que a definição de candidaturas dependerá não apenas de acordos internos, mas também de fatores como alianças partidárias, desempenho da atual gestão e o posicionamento de outras lideranças estaduais.